Estar Adoentada

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Estar adoentada

Domingo por volta das 14 horas estava pendurando no varal um uniforme de Frederico, meu filho e me veio um pensamento em função da disposição que levantei da cama nesse dia.

E não diferente da forma que tenho levantado há dias…

Sentindo-me adoentada!!!

Tenho refletido muito sobre esse estado de espírito, e mesmo tendo muitas respostas e ‘me’ dar, e muito a compartilhar e escutar, é fato que ele tem permanecido mais tempo que deveria.

E o que tenho percebido em mim é uma desconstrução de crenças limitantes, o que me é custoso pela formação enraizada fortemente e européia.

Lendo, meu vício desde a juventude, encontro palavras que encaixam em minhas reflexões, e aqui vão algumas palavras retiradas da poesia de Guilherme de Almeida:

Perguntei a minha vida:

– Como achar a apetecida felicidade absoluta?

E um eco me disse: – LUTA!

Lutei.

– Como hei de a esta pena dar a cadencia serena que suaviza, embala e encanta?

O eco então me disse: – CANTA!

Cantei.

– Mas como num verso resumir todo o universo,que em mim vibra, esplende e clama?

Então, o eco me disse: – AMA!

Amei.

– Como achar agora a alma simples que eu pus fora pelo prazer de buscá-la?

E o eco então me disse: – CALA!

Calei-me, E ele então calou-se.

Nunca a vida foi tão doce…

Tudo é mais lindo ao meu lado:

Mais lindo, porque calado.”

Refleti cada palavra de Guilherme e percebi que havia feito todo o caminho, e vejo tudo mais lindo sim, mas não exatamente ‘porque calado’.

Percebo no ser humano uma necessidade desvairada de fala. Nós mulheres proferimos de seis a oito mil palavras por dia, contra dois a quatro mil proferidas pelos homens, isso é científico, mas sinceramente poucos seguem a linha: ‘porque calado’.

Lendo também o Trabalho de Conclusão de Curso de uma amiga que se forma em psicologia, falando da visão feminina por olhos de Freud e Lacan, descobri que nós mulheres somos fadadas a viver sem o ‘falico’ e que isso nos acompanha como ‘falta’ a vida inteira. Não sendo diferente dos homens que são ‘falicos’ e a mesma falta os acompanha por motivos diversos.

ESTAMOS NA ERA DA INSATISFAÇÃO.

Nem bem terminamos de pagar um sonho, (materialmente falando) já estamos de olho em outro, esquecendo assim, o quanto nos custou consegui-lo e principalmente parar para curti-lo…

E usamos isso para tudo,

E mentimos para nós mesmos,

E pior, acreditamos em nossas mentiras.

Pois quando expressamos nossa satisfação a alguém,

Soa inverdade!

Não existem mais pais que amamos e respeitamos.

Filhos queridos e respeitosos, profissão com amor, humildade, fraternidade, amizade, companheirismo,

Respeito, olhos nosso olhos…

Existe sim:

O que ele (a) tem…

E quando se chega a algumas reflexões como esta, nossos dias correm de um vazio absurdo que perdemos a vontade de viver…

As palavras de Margarida Rebelo Pinto, escritora portuguesa diz, resumidamente: ‘Se fosse objeto, seria objetiva, mas com sou sujeito, só posso ser subjetiva, não tenho por isso pretensão a alcançar aquilo que os homens poderão desejar em espírito: o cerne da verdade absoluta. Mas porque sou de mim mesma meu maior carrasco, posso escrever para te falar de verdade, da MINHA verdade da que carrego no coração. Há muitos anos aprendi que se há alguma verdade, ela esta no que se sente e se não for pela franqueza, a vida não faz a mim nenhum sentido.

Olho para trás e vejo que meus erros contaminaram recordações do tempo em que ainda não os haviam cometido, e isso faz-me sentir culpada pelo que não fiz. Então aplico a mim a autoflagelação, esperando que a dor apague.

O primeiro erro que cometi foi me apaixonar. Era como se saísse de dentro de mim própria e assistisse ao desenrolar da paixão que crescia desmensuradamente, sem que eu nada pudesse fazer para evitar.

Não sei avaliar exatamente o que acontecia, mas a pouco de exato na observação dos mistérios mais simples!

O mundo para cada um, só existe na medida em que se confia na nossa vida, no que vemos, sentimos, ouvimos, sonhamos, tememos e acreditamos.

E cada um de nós encerra um mistério que nem o próprio entende. È por isso que sendo espectadores de nossa existência, sofremos quando a vemos caminhar para onde não queremos ir, e muitas vezes assistimos impávidas e impotentes ao curso natural das coisas.

O segundo erro foi não ter escondido a ninguém meu amor, queria tanto as pessoas que as obrigaria a amar-me.

Como fui infantil. Amor não se procura!

Sou uma guerreira e o amor minha maior arma!

O meu coração é meu escudo, avanço sem lança nem capacete.

Caio e levanto as vezes que for preciso,

mas não paro nunca!

Os tombos me serviram para aprender algumas coisas,entre as quais que estar quieta também é uma ação. (coincide com palavras de Guilherme).

Ao ficar quieta consegui parar de sonhar e comecei a viver cada dia após outro, a sair para a rua e respirar o ar aquecido do sol, com uma dádiva de Deus.

Mas aonde vou e o que quero dizer com minhas palavras?

Não desejo a compaixão de ninguém.

Meus sentimentos são a flor da pele sim, e sou toda feita de coração, nem sei porque é que Deus me deu o cérebro, nunca o uso para coisas importantes.

Sei que tudo começa e acaba com afetos, que o mundo é feito de coisas tão simples e grandiosas como amor, sexo, ódio, raiva, saudade que são instintos básicos que o fazer girar, com conflito e luta, porém sempre com vontade. ’

Está ai, o diagnóstico de meu estado de espírito escrito por alguém que nem sabe que existo e que me faz ver que tal sentimento é lugar comum.

A falta, ah esse vírus do século 21…

… Sinto a falta de meu pai, de minha avó, de amizade sincera, de ser olhada por dentro, de ser respeitada ainda que nua, de tempo sem pensar em dinheiro, de fazer coisas apenas por amor e de

… pessoas AMOR como eu!

Porque acreditem: peco, e peco muito, pelo excesso, mas excesso de amor!!

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